lapisNa estrutura educacional vigente, os cursinhos foram a total aberração institucionalizada, aceita e sedimentada.

Alunos sonham mais com um “bom” cursinho (isso existe?) do que com uma boa formação. Alunos passam a pagar CARO para aprender “macetes”, em salas entulhadas, cheias de professores “engraçadinhos”, sem a menor
preocupação com a Educação, a formação humana, valores ou qualquer coisa semelhante. Se os alunos estiverem fazendo o que for pelos corredores (e isso se estiverem lá e não no barzinho da esquina mais próximo), desde que não importunem as salas apinhadas e não depredem o patrimônio, está tudo bem.

Os professores (que deveriam, em essência, ser educadores) transformaram-se em ”treinadores” em reconhecimento de questões que mais aparecem, uma espécie de “detetives” ou “farejadores” daquilo que mais pode vir a ser pedido. Na Literatura, os cursinhos imprimem resumos dos livros ou, então, os mais moderninhos, fazem acordos comerciais com companhias teatrais de qualidade pra lá de duvidosa que apresentam dramatizações dos romances escolhidos pelas Comissões de Vestibulares, como se isso substituísse o gesto e a formação em competência de leitura.

Agora, transformam o Enem em um novo vestibular. Um provão. Deturpando o seu caráter inicial e louvável de avaliador do ensino, de avaliador de conteúdos e de um instrumento de tentativa de avaliação nacional dos processos regionais. No início, falava-se até na aplicação prática do “pensar globalmente e agir regionalmente”. Um avanço!

Agora, sabe-se lá através das mentes de que anta burocrática, volta-se a uma velha mentalidade, anterior até mesmo aos cursinhos. Uma mentalidade que teve sua origem na visão esquizóide da ditadura militar que centralizava o controle e enfraquecia o regionalismo. O “provão” que se tornou o “novo” Enem é apenas uma prova a mais. Longa, extenuante, chata. E que já começa a gerar novos “cursinhos preparadores para a prova do Enem”.

E repleto de falhas de infraestrutura. Nem falo da vexamosa e escandalosa fraude na primeira tentativa de aplicação em 2009, mas em diversas outras. Erros grosseiros nos cartões de inscrições, ausência de treinamentos de fiscais nas escolas, professoras que aplicaram as provas em seus próprios alunos e “deram uma forcinha” nas questões na hora da prova.  Equívocos e atrasos na divulgação de gabaritos. Houve até lugares em que fiscais sequer conferiram documento de identidade. Uma prova incontestável de incompetência e falta de planejamento. Pareceu, aos olhos perplexos dos alunos, que quem deveria avaliá-los estava sendo reprovado na avaliação de seu desempenho.

Breve, teremos especialistas em fazer a prova no lugar dos alunos, enquanto os alunos curtem outras bizarrices pelo mundo afora.  Talvez longe das salas dos cursinhos, em um barzinho, já que ninguém tem mesmo estômago, com a idade dessa meninada, pra se preparar para prova tão chata - e sem a menor credibilidade.

É isso. Perfeito! Para um país às avessas, perfeito. Bizarro! Para um país de bizarrices, apenas mais uma no nosso cenário educacional!