Recentemente, em um fórum de educadores na internet, deparei-me com duas indagações, em princípio colocadas de forma independentes:
· “Que benefícios reais educadores e educandos podem obter a partir da introdução das tecnologias de informação e comunicação?
· Que desafios e dificuldades surgem com a incorporação das tecnologias à prática educacional?”
Na verdade, as duas perguntas são complementares e devem ser respondidas sob um mesmo foco. A introdução das TICs no meio educacional traz em seu bojo desafios, contradições e perspectivas múltiplas, que tornam o trabalho dos profissionais que a ela se dedicam complexo e sério.
Em primeiro lugar, é inegável o aspecto fomentador do desenvolvimento de competências e habilidades – e isso, mirando-se tanto o universo do educando quanto o universo desse “novo professor”. Novas competências relacionais, cognitivas, produtivas e pessoais são demandadas, em cada nova situação tecnológica, como a administração comportamental em uma sala de chat, a moderação responsável e equilibrada de grupos, a motivação de equipes a distância, a organização e planejamento dos conteúdos de forma agradável, a resolução de conflitos inter-relacionais.
O “novo aluno” precisa aprender a otimizar seu tempo e a lidar com toda uma parafernália disponível de recursos, empregando-os de forma responsável e, ao mesmo tempo, dividindo, com o seu professor, novos jeitos e “sabores” no aprendizado. Já o “novo professor” tem à sua frente um universo inesgotável de possibilidades, que podem tornar a relação com os sujeitos e os objetos de aprendizagem muito mais eficazes e eficientes.
Alguns adjetivos poderiam definir, de forma bastante concisa, os novos aspectos desse aprendizado, traduzidos em benefícios quase imediatos:
- dinamismo (com a tecnologia, o acesso à informação, se bem orientado, pode ser muito mais ágil, rápido e eficiente);
- ludicidade (alguém duvida do prazer que os alunos têm, com suas descobertas nesse novo mundo tecnológico?),
- precisão (com determinação e orientação sistemática do foco, pelo educador, o ato de pesquisar pode ser bem mais correto),
É importante, no entanto, não nos deixarmos cativar por uma visão imediatista, imaginando que é um universo sem desafios a serem enfrentados. Há que se ter em mente uma visão conjuntural de um país imerso em desigualdades sociais, econômicas, culturais e até mesmo de vontades e posturas políticas. E os desafios são imensos.
Resistência! Talvez o primeiro e maior deles… A resistência ao novo. A resistência corporativista, que se agarra com unhas e dentes a uma realidade antiga, conformista e que assegura determinadas relações de poder, de comando e de relações sociais. Acompanhei de perto, por exemplo, o trabalho de implantação de TICs no interior de um determinado Estado brasileiro. Lá, em cidades onde até há bem pouco tempo a luz elétrica foi uma novidade, vi diretoras que ainda defendem a palmatória, para alunos que porventura surrupiem a bolinha do mouse. Vi – não foram poucas! – diretoras que receberam computadores novinhos em folha e deixaram que todo um laboratório de Informática caísse na obsolescência, por total falta de uso, com “medo” de que seus alunos estragassem as máquinas. Vi diretoras que levavam a chave dos laboratórios de Informática consigo, para casa, numa demonstração inequívoca de que o uso racional das tecnologias requer educação de base, competência gerencial e, acima de tudo, bom senso. Nessa trajetória, tenho acompanhado de perto professores que se amedrontam, crendo que a máquina irá substituí-los. Gosto sempre de dizer que o professor que um dia for substituído por um computador terá merecido a substituição!
Gestão competente dos recursos disponíveis é outro mega-desafio! E, aqui, cabe dizer que o termo “gestão” aplica-se não somente a diretores, mas a todos os atores sociais do processo educativo. É extremamente comum percebermos o uso de máquinas de última geração para aplicabilidades antigas. Computadores encarados como máquinas de escrever avançadinhas e modernas. Salas de informática de escolas utilizadas para aprender digitação e fazer desenhos no Paint Brush. Ou, ainda pior, conteúdos sendo digitalizados com a mesma feição e a mesma (IMPER)feição dos conteúdos impressos – mera transferência da ausência de qualidade, mera sub-utilização das potencialidades de uma ferramenta.
Creio que os desafios que ora enfrentamos são naturais. Não vivi os dias em que chegaram, pela primeira vez, os livros, às mãos do grande público. Mas imagino como deve ter sido sofrido e caótico o longo período de transição, até que o saber se disseminasse com a palavra impressa, saindo das cúpulas dos grandes mestres para a população, sedenta por conhecimento. Vivemos, creio, esse tempo novo da disseminação. Os “proprietários” desse saber estão aflitos, vendo-o escorrer por suas mãos. A grande massa, ansiosa por ele, está ávida, como quem corre ao pote de mel em meio à fome. Natural que assim aconteça.
(Ney Mourão)
Jackson de Jesus Bispo
abril 24th, 2010 at 10:38 pm
O texto a ideia da educação por meios desses novos meios como um caminho a qual acabamos de entrar e e sem volta
Edileuza Pereira Canario Rodrigues
abril 25th, 2010 at 8:58 pm
Gostei do texto, pois como foi relatado questões de medo, desinformação sobre uma ferramenta jamais vista pela maioria da sociedade brasileira.É uma pura realidade ainda hoje se vê situações aborddas no texto mesmo no mundo globalizado em que vivemos.
JEANE MATOS ARAUJO LIMA
abril 26th, 2010 at 6:21 pm
O novo sempre causa estranhamento e medo, então é mais fácil assumir uma postura de zeloso do que de aprendiz. Sair do pedestal e assumir que não domina algo faz com que as pessoas deixem de aprender e fechem suas mentes para as novidades. É preciso quebrar essa barreira e querer sair da situação cômoda, é preciso ousar, errar , aprender e ser livre.
Regina de Oliveira e Souza
abril 26th, 2010 at 7:14 pm
Interação Global
Descobertas tecnológicas em comunicações têm reduzido a distância física a uma variável insignificante e gerado equipes internacionais. Esse desenvolvimento tem imposto novas demandas, as quais nos fazem deparar com o novo, causando desafios e quebras de paradigmas, ao mesmo tempo envolvendo participantes multiculturais exigindo uma demanda por habilidades concretas no uso da tecnologia e habilidades mentais relativas à interação no ciberespaço.
João Rocha
abril 29th, 2010 at 12:23 pm
O autor traduziu perfeitamente alguns dos grandes (se não os principais) problemas da utilização da tecnologia na educação. Creio que seja algo meio instintivo o medo do novo. Ainda mais quando é necessário encarar, além do medo, o despreparo e a desinformação. Tão importante quanto ter a disponibilidade da tecnologia é saber como usá-la de forma a tirar o melhor proveito possível de suas possibilidades. Entretanto, acredito é só uma questão de tempo e empenho para que seja possível superar o receio e aprender a utilizar a tecnologia de de forma apropriada.
marnilva rita de oliveira leal neves
abril 30th, 2010 at 5:53 am
São desafiante os TICs, porém naturais.Estas descobertas tecnológicas da informação e comunicação,faz parte da interação global contemporânea que contempla a aprendizagem colaborativa, rompendo com velhos paradigmas,impondo novas demandas, evidenciando assim algumas resistências ao novo.Mas, não se faz mudança sem transformação.A transformação está na nova sociedade da informação que possibilitará uma prática pedagógica da interatividade no ambiente virtual de aprendizagem, construindo coletivamente o conhecimento.
Eliziária freitas dos Santos Cunha
maio 1st, 2010 at 12:56 pm
Sei que a TICs para as futuras geraçãoes talvez será menos complicada se esta for realmente trabalhada de forma consciente, pois esta tem suas vantagens e desvantagens para quem a manuseia. Ás vezes perigosíssimas.
Joselia Libania Novais Moura
maio 1st, 2010 at 10:23 pm
O ápice da educação aberta no mundo globalizado. A tecnologia de informação e comunicação admite uma nova abordagem no processo educacional. Apresentando uma proposta relevante nos campos de ensino aprendizagem. Em uma linguagem informativa que contempla com ênfase a capacidade de aprender outras agilidades de assimilar conceitos e avaliar situações, súbita exercitando enriquecendo o ambiente de instrução, com isso TICs colabora para expansão do ensino superior no Brasil, além de favorecer a modificação dos métodos tradicionais de catequização, em uma inovadora sugestão pedagógica.
VANIA MARIA MENEZES BORGES
maio 2nd, 2010 at 10:01 am
Olá Ney!
Parabéns pela abordagem do tema!
Estamos vivendo um momento sociotecnológico que repercute em todas as esferas da nossa vida pessoal e social , e principalmente na Educação. Educar nessa nova realidade significa saber selecionar criticamente o que é importante para avançar no conhecimento, ou seja, aprender a aprender.
O avanço das tecnologias possibilita que novas formas de ensino sejam oferecidas. Entre elas, destaca-se a Educação a Distância. e neste contexto que nos deparamos com algumas inquietações, principalmente com a utilização das TICs na EAD que possibilita novas formas de comunicação entre professor e aluno. Essas interações podem ser síncronas ou assíncronas, sendo que estas são privilegiadas pois cada um participa das ações educativas em tempos e espaços distintos.
as referidas inquietações surgem mais dos professores, pois estes ainda são resistentes às “novidades”. Hoje exige-se dos professores novas competências e novas formas de atuação para o desenvolvimento da prática pedagógica. É muito comum os alunos estarem mais atualizados do que o professor, principalmente pelo uso da tecnologia.
As TICs possibilita uma diversidade de usos criativos, viabilizando novas formas de contato com as mais variadas fontes do conhecimento e a interação entre os usuários. Isso pode qualificar a relação de aprendizagem sem se desfazer das metodologias que o sistema presencial de ensino já consolidou.
O maior desafio é se apropriar do novo tentando entender essas encantadoras possibilidades de ensinar e aprender!
Dificuldades existem, porém podem ser sanadas dependendo da vontade de superá-las. Quando se quer, as coisas tornam-se mais possíveis!
Então queiramos…
Denise Aparecida Brito Barreto
maio 2nd, 2010 at 10:16 am
Não podemos relevar a condição de que as Tic´s ainda não conquistaram os sujeitos da educação, como sabemos que isso poderá ocorrer em breve. Até porque estamos caminhando a passos largos,no mundo tecnológico, mas as pessoas ainda não têm muita clareza desse universo. Devemos ensinar a pescar, e não dar o peixe, e essa é a proposta da EAD, Acredito até que essa nova forma de ensino mudará o ensino tradicional. As salas de aula tomará um novo rumo a partir dessa nova forma de aprender.
Gracieda dos Santos Araújo
maio 2nd, 2010 at 11:46 am
As TICs trazem ao campo da educação uma tarefa desafiadora que é a de transformação do modelo tradicional de educar. As TICs imprimem à atual sociedade o desenvolvimento de novas formas de comunicação, novas formas de aprendizagem e, consequente, o desenvolvimento de novas habilidades requeridas pelo atual modelo de sociedade, inaugurando assim um novo jeito de aprende e ensinar. Este , sem dúvida, é um caminho sem volta.
Magalí de Oliveira Sacramento
maio 2nd, 2010 at 1:32 pm
O TIC realmente promove desafios constantes, por fazer do sujeito o objeto do seu crescimento e desenvolvimento, visto que a informação pode se transformar em conhecimento e este em SABER quando você se permite a buscar novos desafios de aprendizado, compartilhando e socializando com o outro.
Marcos Paulo Mascarenhas
maio 2nd, 2010 at 9:24 pm
Muito sábio o posicionamento focado nas dificuldades de implantação desse modelo de educação. Infelizmente, vivemos em um país em que o corporativismo ainda é uma das principais formas de gestão.
Mas, acredito nesse novo PROFESSOR e nesses novos ALUNOS.
Manuela Barros Santos
maio 3rd, 2010 at 9:42 pm
Apesar de considerar breve a discussão levantada por Ney Mourão, achei muito interessante o título do texto. Será que realmente esse “bicho morde”? A resposta é relativa, como o próprio autor diz: ” a introduçaõ da Tics no meio educacional traz em seu bojo desafios, contradições e perspectivas múltiplas.”
Na verdade o simples fato de chamar as Tics de “bicho” de nuncia o estranhamento, o medo. Ora,se é “bicho”, porquê não morder?
E é nessa perpectiva que a Tics é um desafio sim, é o novo, por isso é diferente. São contradições por ser uma modalidade de educação paradoxal, existem interesses que devem ser vistos na totalidade e não no singular, já que a educação é reduzida a mercadoria embutida num modelo neoliberalista.
E , dessa forma, como o próprio autor diz o resultado são perspectivas múltiplas, justamente por ser um caminho cheio de bifurcaçãoes.
Cesar Ely S. Melo
maio 3rd, 2010 at 10:16 pm
Abordagem bastante coerente com a nossa realidade, principalmente no que tange a dimensão quase que continental de nosso País com tantas desigualdades e diferenças, regionais, culturais, e socioeconômica e como homogeneizar esta nova ferramenta tecnológica? No intuito de viabilizar o processo educacional de forma igualitária propiciando proporcionalidade equilibrada em realidades tão distintas. Todavia acredito que mesmo para os que tiveram boa base e melhores oportunidades, somente lograrão êxito reais, os que vislumbrarem que nesta nova proposta de aprendizagem a exemplo da TIC, o processo de construção do conhecimento, faz-se necessário a partir da existência dos respectivos princípios: disciplina, empenho e responsabilidade.
Márcio Dias
maio 4th, 2010 at 11:58 am
De fato a modernidade trouxe inovações que antes imagináveis no mundo da educação, mas não podemos também dizer que a tecnologia venha substituir, mas sim aprimorar o que já existe e formar novas didáticas e possibilidades tanto ao professor quanto para ao aluno, numa perspectiva mais ampla.
A história prova que uma nova forma de comunicação não sobrepõe completamente a outra. A escrita não suplantou a oralidade. A imprensa não substituiu completamente o manuscrito. A fotografia não substituiu as artes plásticas, nem a televisão suplantou o rádio. Cada tecnologia encontra um lugar seu lugar do mundo e assim ocorre atualmente com o hipertexto e o livro. (ORNELLAS; OLIVEIRA, 2007, p. 62-63).
Fabya Jakellyne Alves Souza
maio 9th, 2010 at 8:43 pm
Olá… Muito bem colocado as informações do texto de Ney Morão, acredito e concordo com suas observações, principalmente quando fala da postura do gestor e do aluno, diante de tantas informações, sem dúvida alguma estamos adentrando em um mundo tecnológico sem volta… um mundo de habilidades e competências a serem alcançadas, não apenas fazer de conta.
Sou tutora em uma Faculdade de EAD e hoje o que mais trabalho com meus alunos é a motivação e a busca imediata de saberes, além dos que se é oferecido, pois ao se colocarem diante de uma faculdade de EAD, necessitam antes de tudo de motivação e adicionais de conteúdos, para demais estudos. Enfim, não é fácil, mas é primoroso.
JOzélia de Jesus Magalhães
maio 12th, 2010 at 8:34 am
As observações abordadas pelo autor é de suma importância. As novas tecnologias surgiram, sim, como algo novo e estranho que vem, sem dúvida, ajudar na inovação, dinamicidade e melhoria das abordagens e processos do ensino-aprendizagem.
Para tanto, muitos dos gestores e educadores devem perder o medo de conviver com o “mundo” tecnológico, se permitir degustar as enumeras possibilidades e se aprimorar na busca e construção de conhecimento, juntamente com seus alunos que são sedentos por informação.
Izenete de Souza Pereira de Oliveira
agosto 28th, 2010 at 10:53 am
Olá Nei
Estou inicando agora no curso de Pedagogia e lendo o seu texto me ajudou bastante no tema quero abordar no meu paper.