Republicando, a pedidos, um post, de um tempinho atrás…
Mais algumas divagações sobre meu tema predileto: a liderança…
Uma verdadeira equipe não é um aglomerado de pessoas reunidas pelo medo, necessidade ou anseio por vitórias sobre outros. Uma equipe é mais que mera reunião. É uma junção de pessoas fortalecidas por laços orgânicos. O que define uma equipe é a causa comum que consegue acolher visões diferenciadas. O que define uma equipe é a capacidade de somar diferenças. O que define uma equipe de sucesso é a capacidade conjugada de abdicar de interesses pessoais em favor de uma soma de competências. E tudo isto, não necessariamente para grandes obras, grandes feitos ou atos revolucionários. É no cotidiano, nas pequenas coisas que se constrói a teia, que se solidificam os elos, que se acomodam as pedras da estrutura.
Toda equipe precisa de um ou mais líderes. Erra quem acha que eles são os mais importantes da cadeia formadora da equipe. Eles são os que validam a importância de todos. São melhores líderes os que conseguem captar, dentre a banalidade habitual do cotidiano, os valores e relevâncias de cada pessoa e, descobertos esses valores, fazer com que eles aflorem, num belo manancial de força e mobilização. Desconfiem dos líderes que sempre dão ordens. Os melhores mobilizam talentos e vontades. O verdadeiro líder raramente precisa mandar, pois seu esforço por fazer nascer na equipe o desejo duma colaboração voluntária é sempre coroado.
Eis o desafio: dizer cada vez menos o EU imperativo e assumir o NÓS colaborativo. Esta é uma mentalidade transformadora. Esta é uma postura capaz de construir impérios solidificados na ética, na verdade, no bem e no belo. Grandes líderes humanitários ensinaram, ao longo da História humana a construção alicerçada no acolhimento de diferenças, na soma dos valores individuais – sem contradizer o anseio pelo fortalecimento do tecido coletivo. Assim, conseguiram transcender-se e transcender. Assim, realmente foram exemplo a seguir. Conseguiam construir EQUIPES, TIMES vencedores, cujas histórias ficaram e ficarão na História, como lembranças suaves a embalar os corações e almas. Todos os demais foram apenas chefes, perdidos em suas ilhas de ilusão e reconhecimento efêmero.
O líder é o que sabe canalizar sentidos em prol do outro. Saber abrir os braços para o toque. Saber usar as pernas para caminhar ao encontro. Saber distinguir os aromas dos receios e o sabor das conquistas. E, acima de tudo, saber OUVIR! Ouvir o outro, saber de suas necessidades, saber de suas falas, perceber o que es esconde nas entrelinhas do que é dito e no silêncio do não-dito.
Investir na força da liderança verdadeira é tarefa que toda organização que almeja o sucesso deve ter em suas ações. Desafios e dificuldades se impõem, é claro. É fácil para um líder se deixar embalar pela falsa sedução do comando. Mas cabe aos líderes o papel diferenciado de, pelo menos, TENTAR um mundo melhor!
Motivação, criatividade, trabalho em equipe, liderança:
esses serão alguns dos temas abordados na palestra que estarei ministrando na Escola Alemã Corcovado, localizada na cidade do Rio de Janeiro, no dia 29 de junho, quarta-feira. Estarão presentes cerca de 90 alunos do Primeiro Ano do Ensino Médio.
Descontração, com boas vivências e muito aprendizado, prometem ser os ingredientes principais do encontro do educador com os jovens.
Habitualmente, não publico, por aqui, matérias jornalísticas, já que até esse momento o blog não teve esse objetivo. Notem bem que disse “até esse momento não teve”, pois quem já escreveu um poema em que há versos que dizem “sou tantos, que costumo acordar procurando por mim” pode dar-se a essas mudanças de postura, sem nenhuma culpa. Portanto, vamos lá. Primeiro, um artigo do Gilberto Dimenstein, intitulado “O massacre da tarja preta”. Além da abordagem sobre as consequências do uso excessivo do computador pelos adolescentes, ele fala, com propriedade, sobre o abuso do uso de remédios para “supostos” distúrbios psicológicos junto a essa faixa etária. Meu comentário vem logo depois.
O massacre da tarja preta
O relógio biológico da adolescência é diferente; o computador está tornando acordar cedo mais difícil
É UM MASSACRE da tarja preta contra crianças e adolescentes brasileiros, levados a tomar desnecessariamente remédios para supostos distúrbios psicológicos. Essa intoxicação tem respaldo de médicos, psicólogos, pais e professores.
Na semana passada, a Folha publicou a descoberta de psiquiatras e neurologistas da USP, Unicamp e Albert Einstein College of Medicine (EUA): 75% das crianças e adolescentes brasileiros que usam medicamentos tarja preta foram diagnosticados erroneamente como portadoras do chamado TDAH (Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade). A pesquisa será apresentada no final d este mês durante congresso na Alemanha.
Esse abuso bioquímico para controlar atitudes de crianças e adolescentes revela como os adultos têm dificuldade de entender e lidar com as novas gerações e até entender o mundo em que vivemos.
Vive-se num ritmo hiperativo de produção e disseminação de conhecimento. Por conta das redes digitais, as crianças e os adolescentes já nascem conectados e com um pé no mundo. São bombardeados por informações e se sentem aptos a compartilhar e interferir sobre o que veem, ouvem ou sentem. Na era das mídias sociais, todos somos, em certo grau, comunicadores lidando simultaneamente com uma multiplicidade de dados e estímulos.
Saiu recentemente um livro intitulado “Blur” (desfocado em inglês), escrito por Bill Novak, ex-jornalista do “New York” e diretor de um centro de estudos de jornalismo em Harvard, em que se afirm a o seguinte: “Em três anos se produziu no século 21 mais do que nos últimos 300 mil anos.”
É nesse ambiente que as crianças nascem e são treinadas, quase desde o berço, a jogar videogames cada vez mais velozes e complexos, o que, para muitos cientistas, desenvolve as habilidades cognitivas. Esse universo hiperativo do virtual valoriza o presente, o agora, o já, tudo imediato, e se esvai com a velocidade de um novo aplicativo. Muito mais difícil ensinar coisas que não têm sentido imediato e que envolvem complexidades. Existem até novas reações cerebrais. Mas tanta luminosidade das máquinas acaba gerando problemas. Existem evidências científicas mostrando que ficar de noite na frente da luz do computador atrapalha o sono, mexendo nos hormônios. O relógio biológico da adolescência já é naturalmente diferente; o computador está tornando acordar cedo ainda mais complicado.
Por que um estudante, acostumado com a interatividade e compartilhamento de informações, ficará tranquilo numa sala de aula com baixa interatividade, ouvindo o professor despejar conteúdos que não lhe fazem sentido? Interessante que o Conselho Nacional de Educação tenha lançando, na semana passada, novas diretrizes para que o ensino médio seja estruturado em quatro eixos adaptáveis para cada local: cultura, ciência, tecnologia e trabalho. Além disso, parte das aulas pode ser dada a distância.
É um ensaio de ruptura com o obsoleto. Lembremos que a escola como conhecemos foi criada exatamente no tempo das chaminés, mirando-se na estrutura das indústrias, compartimentalizadas em departamentos separados. Até a sirene veio dali. O que se discute hoje é até que ponto os sistemas de avaliação, evidentemente necessários, nã o estão baseados na era da chaminé.
Até as universidades mais sofisticadas do mundo estão mudando suas práticas para cultivar seus alunos, estimulando mais a experimentação, montagem de projetos e trabalho em equipe. São desenvolvidos laboratórios apenas para desenvolver o empreendedorismo. Não são poucos os ícones da inovação que não conseguiram acabar seus cursos como Steve Jobs, Paul Allen, Mark Zuckerberg, e por aí vai.
Minha suspeita é de que essa medicação de tarja preta não seja uma solução para tratar um problema que, em muitos casos, é real, mas sim para colocar a disciplina acima da criatividade. Como dizia Einstein, apontado como portador de distúrbio de atenção, para quem educar é estimular a imaginação (”mais importante do que conhecimento é a imaginação”), loucura é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Quem sabe se ele nascesse hoje não seria mais um medicado com tarja preta.
Minhas ruminações:
Esse “massacre” não é só junto a crianças e adolescentes. Cada vez mais a população brasileira está sendo inundada por drogas para os tais “supostos” distúrbios psicológicos. Experimente marcar uma consulta em qualquer psiquiatra, hoje, e demonstre na consulta uma tristeza qualquer, seja por qualquer motivo. Você sai de lá com uma maravilhosa receita de felicidade de bolso. Cada vez mais as pessoas tendem a se esforçar cada vez menos para assumirem seu próprio controle das emoções, delegando às pílulas a responsabilidade por um bem-estar artificial, mecânico. Não sou contra o suporte, quando necessário, mas desconfio (pra não dizer que tenho a certeza, por não ser especialista no assunto) que os exageros são crescentes. Recentemente, estive com um grupo de pessoas, em um pequeno evento. Das cerca de 15 presentes, umas 8 ou 9 ingeriam antidepressivos, antiansiolíticos ou algum outra antiqualquercoisa.
Sou terapeuta holístico. Atuo com Reiki, Florais de Bach, Reflexologia Podal, Aromaterapia, dentre outras técnicas. E tenho sido procurado cada dia mais por pessoas que foram diagnosticadas com depressão, síndromes diversas quando, após algum tempo, percebemos, juntos, que o que elas tinham era tristeza, carência, falta de uma boa amizade ou de perspectivas de vida. Eu próprio, há alguns meses, depois de algumas autotentativas de enfrentamento de um problema pessoal, fui a um profissional da área de Psicologia. Saí de lá com uma receita do que “há de mais moderno” em termos de regulador das endorfinas. Cheguei a tomar por algumas semanas, até perceber que o que preciso, de fato, é resolver um problema pessoal que se arrasta há um bom tempo e que precisa de um ato de coragem para ser resolvido - e coragem verdadeira, feliz ou infelizmente, ainda não vem em cápsulas!
Quando as maravilhosas conquistas em cápsulas podem ser abandonadas, sem danos ao organismo, ainda vá lá. O problema são as que causam dependência, as que não podem ser interrompidas sem uma observação rigorosa, as tarjas pretas que tornarão o indivíduo permanentemente iludido, as que, quando interrompidas temporariamente, causam o chamado “efeito rebote” - a pessoa fica com suas emoções em descompasso, algumas até agressivas, soltas por aí, pelo trânsito e pelo convívio com os demais na selva humana.
Lembrete mais importante: todas essas drogas alimentam, sim, uma INDÚSTRIA, como qualquer outra, poderosa, com suas artimanhas, seu mercado, marketing vigoroso (inclusive junto à clientela médica, cujas viagens a congressos pelo país e pelo mundo costumam ser bancadas pelos grandes laboratórios). O Rivotril é, hoje, um dos medicamentos mais consumidos no Brasil. Não é preciso fazer as contas, para sabermos que há, sim, interesse em que as pessoas fiquem relaxadas e tranquilas, embaladas sob os seus componentes. Ou seja: fazer uma leitura crítica daquilo que nos receitam e daquilo que aceitamos é um desafio, mas pode ser um excelente exercício - inclusive de cidadania.
Grande abraço.
Ney Mourão

Quisera falar de carinho e ternura,
em uma linguagem que todos os corações entendessem.
Quisera explicar o afeto e a brandura
em palavras tão simples que dispensasse legendas.
Quisera transmitir a todos, pelo mundo afora,
a crença na esperança que, como fonte, jorra e aflora.
Quisera, sim, ser capaz de evidenciar
os verbos sinônimos do amar
em uma canção universal e bela
que qualquer ser fosse capaz de escutar.
Quisera ser capaz de encontrar a síntese da expressão
da entrega incondicional
da doação irrestrita
da aceitação sem barreiras.
Quisera ser capaz de falar à alma dos homens
e dizer-lhes de seres capazes de renunciar aos próprios sonhos
para dedicar-se às esperanças de outro,
sem nada pedir
sem nada exigir.
Na impossibilidade de tanto,
optei apenas por dizer uma palavra
um vocábulo apenas
onde cabe tudo isso e mais tudo aquilo
que as palavras não conseguem expressar.
Sentimentos que povoam a alma
e acalentam o espírito.
Uma palavra: MÃE!
A todas as mães, um dia feliz. Que as palavras ditas hoje sejam verdadeiras. Que as não ditas sejam compreendidas pelo olhar, pelo toque, pelo abraço…
Aos filho, um colo eterno de mãe em seus corações…
Ney Mourão
08/05/2011
Hoje o Natal chegou aqui…
E chegou assim, sem nenhum aviso, carta, telegrama ou mensagem pelas ondas informatizadas. Veio carregado por uma brisa suave, uma espécie de sopro de luz, que foi transformando minha rua, esbarrou sorrateiro na soleira do portão, desalinhou a grama do quintal, fez eriçar o orelha do cachorro, estalou o tapetinho da porta, espalhou um sei-lá-o-quê pela sala e, como uma criança travessa, jogou-se de corpo inteiro em minha cama, desarrumando tudo com um sabor de enfim cheguei.
O Natal chegou hoje aqui e tudo ficou confuso e belo como desejo de cantar sem explicações. Trouxe consigo uma vontade de sair pelas ruas brincando com os passarinhos e fazendo sorrir os porteiros dos prédios dos apartamentos. Trouxe do firmamento um pedaço de azul que tingiu meu dia com uma mansidão de fazer dormirem os bandidos, sonhando com violetas e borboletas sobre os fuzis. Trouxe dos horizontes um pacote de estrelas e, com elas, fez desenhos em minha testa, convidando-me a sair pelas ruas, vestido de poesia, dizendo sonetos de amor para quem tivesse ouvidos.
Veio com o Natal, de lugares desconhecidos, uma alegria com gosto de caramelos. Em seu rastro, pude ver passarinhos ensaiando valsas e um cordel encantado de pessoas espalhando cortesia, solidariedade, amor, paz, respeito, tolerância, carinho, afeição e bondade. À frente delas, num caminhar suave, um menino-Deus, com olhos acolhedores, espalhando boas-novas e falando de um mundo novo, que acaba de chegar.
O Natal chegou, trazendo um sentimento de possibilidades e esperança que há muito eu não sentia. Quando abriu a bagagem, pertinho de meu coração sobressaltado e radiante, não vi lá presentes luxuosos, não vi as constelações exuberantes das vitrines, mas percebi uma fagulha ínfima, quase imperceptível. Desses detalhes pequeninos como um olhar furtivo entre amantes, que é necessário capturar naquele instante fugaz, guardar nas estantes da alma, pra nunca mais fugir da memória. Estava lá, no cantinho da mala, entre coisas de ir e vir, entre registros de chegada e partida. Recolhi com calma o pequeno embrulho. Por fora, em letras simples, sem rebuscamentos, estava escrito: “Espírito Natalino”. Abri, e o que era pequeno transformou-se em infinito.
O Natal chegou e espalhou o espírito natalino em meu peito, em minha casa, em meu quintal, em minha rua, em minha cidade. Espalhou o amor do Menino-Deus pelos céus e pelos ares. Ele, então, com um sorriso de Natal que só o Natal sabe dar, assoprou do fundo de sua alma uma brisa de luz, que fez com que tudo de bom que havia chegado até ali também se espalhasse pelo mundo.
Abra sua porta agora. Corra! Abra a janela! Depressa! Vá até o jardim! Estenda as mãos para os céus e receba! Não importa que data seja hoje. Talvez seja mesmo dezembro. Quem sabe janeiro, abril ou maio. O que importa é que você se abra e receba aí, levado pela brisa, o espírito transformador desse Natal transformador. Acredite. Feche os olhos e veja com a alma! Eu vi e compartilho com você! O Natal chegou aqui e, do meu coração para o seu, envio pela brisa! E, se em um dia qualquer de qualquer ano, você sentir tudo isso chegando aí, não se assuste. Devem ser, ainda, pequenos vestígios de Natal, soprados pelo vento mágico do amor do Deus Menino, chegando até você. Receba, em qualquer momento, e compartilhe.
Um Feliz Natal!
Ney Mourão – 2010
Já fazem dias…
Tenho-me sentido tão cansado,
mas tão cansado, arfante,
soturno e triste,
que sinto que as malas para a partida
talvez não sejam tão pesadas
quanto estes batentes de permanência
em que me ancoro…
O filme “Nosso Lar”, nem bem fez a estreia no cinema e já é o “papo da vez” em muitas rodas. Como faço parte de váaaaaarias listas de discussão, tenho lido comentários vários sobre a obra e acompanhado, tanto como um profissional de comunicação quanto um cidadão de uma visão espiritualista um tanto “pessoal” (ora oscilando entre uma incredulidade racional e ora preferindo uma percepção mais holística, mas sempre sem nenhum dogmatismo religioso que não me permita a abertura a múltiplas visões), tudo o que se tem falado sobre o filme.

Os avós são diferentes, muito diferentes dos pais.
Não são melhores nem piores, mas diferentes.
Pais e mães são nascimento. Avós são boas-vindas.
Pais são trilha e caminho. Avós são paisagens!
Pais são aula, aprendizado, ensinamento. Avós são recreio.
Pais são alimento, nutrição. Avós são merenda.
Pais são alegria e sorriso. Avós são cócegas, gargalhada!
Pais são cores na tela. Avós são inspiração para a pintura.
Pais são lembranças para a vida toda. Avós são saudades que nos levam pelas mãos.
Pais são céu azul. Avós são brincadeira de ver animaizinhos nas nuvens.
Pais são responsabilidade. Avós são o afrouxar da gravata ao fim do dia.
Pais são a primeira lição. Avós, a reflexão.
Pais são o primeiro presente. Avós são o dia bom de fazer grandes laços de fita.
Pais são carinho, ternura. Avós, um colo imenso e fofo de dar gosto.
Pais são aprender a arrumar a casa. Avós são o dia todo pra brincar de caça ao tesouro, tirando tudo do lugar.
Pais são arroz, feijão, batatinha, salada, tutu. Avós são pudim de leite com calda escorrendo.
Pais são a mão que segura na mão, para as primeiras letras. Avós são poesia.
Pais são canção. Avós? Ah! Avós são as teclas de um piano ecoando na sala.
Pais são olhar atento e cuidadoso. Avós são a visão da alma.
Pais são histórias. Avós são a reinvenção dos enredos.
Pais são pais. Avós são tudo o que eles são, com direito a tudo em dobro!
Um abraço grande a todos os avós em seu dia!
Ney Mourão
Acabo de receber de uma amiga - por quem nutro uma amizade romântica e carinhosa - um texto apregoando a falência do amor romântico. Esta é uma corrente meio “modernosa” e cada vez mais frequente de psicanalistas e fisósofos que defendem essa história de “morte do amor romântico”. No Brasil há expoentes ilustres, como o Gikovate, o José Ângelo Gaiarsa, a Márcia Tiburi, O que acho interessante é que todos os chamados defensores de um outro tipo de amor, “não romantico”, quase sempre, são pessoas mal-humoradas, feias, declaradamente arredias e de aspecto bastante irritadiço. Apesar de ricas, famosas e bem-sucedidas, não parecem ser pessoas muito felizes, alegres. Têm sempre uma alfinetada contra a realidade do mundo e contra as relações, de um modo geral, distribuindo receitas de relacionamentos saudáveis. Perdoem-me a expressão, mas não me parecem que são seres lá muito felizes na cama, no lar ou no dia-a-dia. Nunca vi o Gikovate dar uma boa risada. Nunca vi o Gaiarsa gargalhar. Nunca vi a Márcia Tiburi expressando um jeito amorosamente pleno de lidar com as pessoas.
A melhor de todas as religiões?
Aquela que abraça a todos, como potenciais irmãos, amigos, membros da mesma família humana e planetária, independente de qualquer expressão de religião, religiosidade, ou mesmo perante a ausência delas.
Aquela onde, mais importante que o rito, seja o encontro entre almas a maior de todas as celebrações.
Aquela em que não haja a palavra escrita da leitura dogmática e inflexível, mas que exercite em seus membros o gesto de ouvir o outro, desprovendo-se de atribuições de verdades absolutas e percebendo cada criatura como um universo único, belo e repleto de mistérios e descobertas constantes.
A melhor de todas as religiões?
Aquela que promova a felicidade, acima de todas as buscas. E que consiga que a felicidade de uns jamais comprometa o equilíbrio, a alegria, o bem-estar e a paz dos demais.
A melhor de todas as religiões, mais que ensinar, deve exercitar a prática do compartilhamento, da descoberta, mesmo que isso signifique sacrificar crenças anteriormente arraigadas, sabendo-se que a natureza e o Universo são, por si só, energias em constante evolução – e isso pressupõe a abertura a ideias novas, talvez ainda nem conhecidas.
A melhor de todas as religiões é reveladora e libertária. E quem a praticar deve saber que ser livre é saber exatamente que, por sermos todos absolutamente iguais, basta que aquilo que sentimos como não-necessário e ruim para nós é, por si só, não-necessário e ruim para todos, sejam amigos ou inimigos, iguais ou diferentes, presentes ou ausentes, desde que habitem o mesmo Universo que nós.
A melhor de todas as religiões?
A que não confunde hierarquia com opressão e domínio. Que promova o exercício do diálogo, da confiança e do respeito. Que incentive a gratidão permanente, e que gratidão seja uma prática tão constante que se torne quase sinônimo de fé.
A melhor religião difunde esperança. E percebe em cada pessoa uma potencial fonte de renovação do mundo. Quem segue a melhor de todas as religiões nem mesmo perdoa, já que jamais se magoa, ofende-se ou deixa-se levar pela injúria.
A melhor de todas as religiões é humilde. E, como tal, não julga às demais. Não oferece suas portas como templos da salvação exclusiva. Pelo contrário, é a arena acolhedora e cuidadora dos que buscam. Ela, por si, deve encarar-se também como eterna buscadora, percebendo-se como não-pronta, já que a verdade pode estar além de suas portas.
Quem professa a melhor de todas as religiões conecta-se com o bem não apenas em um templo, mas em todo e qualquer lugar, já que é no exercício diário da vivência e da convivência que se conhece o verdadeiro caráter e os anseios efetivos de cada ser em busca do desenvolvimento, da paz, da ética, do respeito ao semelhante. Assim, cada rua, cada trilha, cada lar, cada ambiente de trabalho, cada aposento, cada canto, cada automóvel, cada espaço ocupado por uma alma ou por uma energia pulsante, seja animal, vegetal ou mineral, é o templo onde deve ser exercida esta, a melhor de todas as religiões.
A melhor de todas as religiões confunde-se com abraços humanitários e solidários e olhares repletos de carinho universal. Confunde-se com compreensão, caridade e tolerância.
A melhor de todas as religiões não precisa ter um nome, uma marca ou um signo identificador. Ela transcende fronteiras de países, línguas e raças.
Amor! Eis a melhor de todas as religiões.
Que sejamos capazes. Que assim seja!
(Ney Mourão)
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